No meio da noite um grito ecoou nas montanhas e invadiu o silêncio daquele guri. Este grito poderia ser lá no alto ou ao seu lado, não importa. Rompeu seu silêncio.
No ponto mais alto da cordilheira, o silencio reinava. Apesar de toda a possível distância, apenas o som da batalha poderia alcançar o grito que já partira e soava mais alto que seus ouvidos podiam aguentar.
Chegou a hora de gritar e tirar todo ar de seus pulmões, deixar o silencio descer a montanha. No inicio, o medo de rompê-lo, mas após o momento em que seus pés largam o chão, ele percebe como é fácil rescindir o silencio. Desce até a folha mais alta da árvore mais alta e lembra-se que o silêncio é importante, mas já é tarde demais.
Ele gritou e agora aguarda que o vento leve suas palavras ao local correto e ecoe como desejado. Que o eco de seu grito nas montanhas lhe traga uma resposta.
O garoto sempre sussurrava, mas só então teve a coragem de abrir a boca como deveria e deixar a verdade de seu grito se espalhar e atingir as montanhas e além. “Vá, existem outras montanhas além destas.”, diziam. Mas o guri não queria ver todas as elevações, apenas alcançar a mais bela montanha para poder ali visualizar a alvorada e o crepúsculo, por um longo tempo. Tornar-se um com a natureza era o seu desejo.
Este foi o motivo de sua viagem, este foi o motivo de seu grito romper o silêncio. O grito que nem ele acreditou ser seu, estava prestes a atingir seu objetivo e ecoar pelas cordilheiras. Então algo ao seu lado explodiu e... forte... silêncio... não...
... e o garoto prosseguiu.
Saulo André 14/11/2010
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